“Fui abusada com apenas 10 anos”

A depressão em crianças e adolescentes tem vindo a aumentar de forma considerável em todo o mundo, tendo sido este o caso de Leah.

“Lembro-me de ser uma criança muito depressiva, desde os meus quatro anos. Tinha medo e era muito insegura, tudo por causa da violência que eu via em casa. Para além disso, também fui abusada com apenas 10 anos. Desde esse momento, o ódio e a raiva começaram a tomar conta de mim, tornando-me uma criança agressiva. Devido a tudo isso, comecei a fumar aos 13 anos.”

Violada e presa num bordel. Para agravar ainda mais o trauma do abuso que sofreu ainda em criança, Leah foi alvo de um ataque que deu início a uma sucessão de tragédias: “Com 16 anos fui violada, abusada e jogada fora como se fosse lixo. Desde esse momento, a minha vida tornou-se um inferno! Tornei-me muito rebelde e não queria saber de mais nada.

Saí de casa para trabalhar e sem saber como acabei por ir parar a um bordel quando procurava um sítio para ficar. Não tinha direitos, vestia e comia o que me davam. Era controlada 24 horas e forçada a telefonar para a minha mãe a dizer que estava bem. Estava a ser preparada para vender o meu corpo! Com o tempo, iria ser enviada para outro lugar onde a prostituição seria praticada.

Um dia, apareceu um cliente que conhecia a minha família e, com muito cuidado, pedi-lhe ajuda para fugir. Ao voltar para casa, a vergonha e a humilhação eram enormes! Os vizinhos chamavam-me prostituta e isso fez com que tivesse ainda mais ódio de todos.”

Rede de prostituição. “Depois de encontrar emprego num jornal, decidi recomeçar a minha vida e embarquei para Lisboa. Aceitei a proposta de cuidar da casa e da filha de um casal, mas, fui enganada, pois, na verdade, ia trabalhar para eles numa rede de prostituição. Fiquei chocada e com um medo terrível, pois estavam sempre armados.

Na primeira semana, mostraram-me filmes pornográficos, disseram-me o que tinha que fazer e que tinha que mentir sobre a minha idade.

O casal ficou com as minhas roupas e documentos, dando-me apenas uma sacola com roupas de prostituição para usar.

Estava prestes a mudar-me para um bordel profissional, onde seria treinada para ser vendida para Espanha.

Quando cheguei ao local, havia muitos seguranças, mulheres e clientes, não tinha como escapar!

A dona do negócio, ao ver como eu estava com medo, pediu-me que lhe dissesse a verdade.

Quando lhe disse que tinha apenas 17 anos e lhe expliquei os planos que o casal tinha para mim, ela levou-me para a casa de uma prima dela, que me socorreu.

Mas eu, com todo esse sofrimento, tinha-me viciado em álcool, bebendo duas a três garrafas de vinho por dia.”

Relação abusiva. “Foi, então, que decidi vir para Londres. Com 21 anos, conheci um homem por quem me apaixonei, que prometeu casar comigo e fazer-me feliz. Eu queria formar uma família e ter um lar onde houvesse união, amor e paz.

Mas, após quatro meses juntos, fui usada e abusada por ele. Já grávida, ele apagava o cigarro na minha testa e cuspia na minha cara. Muita vezes, não me deixava comer e tentava pontapear a minha barriga, dizendo que era para o bebé sair pela minha boca. Quatro meses depois, ele foi preso.

Entretanto, perdi toda a minha autoestima, tornei-me muito emotiva, passava os dias a chorar e não tinha paciência para ninguém. Não me conseguia perdoar a mim mesma, nem aqueles que tanto me magoaram! Mesmo depois de ter a minha filha, aquela dor ficou gravada dentro de mim!”

Traição, depressão e suicídio. “Com o passar do tempo, acabei por conhecer outro homem que me deu conforto e me prometeu ajudar com a minha filha. Começámos a viver juntos e, no início, tudo era perfeito. Tivemos dois filhos, mas, com o passar dos anos, ele também ficou viciado no álcool e descobri que ele me estava a trair com outras mulheres.

Devido a todo este sofrimento, a depressão estava a destruir-me, sentia-me perdida, não aguentei mais e tentei suicidar-me três vezes. Achei que não tinha mais saída para mim!”

“Foi aí que uma amiga viu a minha situação e me convidou para ir à Universal. Lá encontrei a Palavra de Deus que me ajudou a libertar-me de toda a dor e a sarar todas as cicatrizes que carregava comigo ao longo de todos estes anos. Aprendi que mesmo depois dos abusos por que passei, poderia ser feliz! Também me livrei dos vícios do cigarro e do álcool. Perdoei-me a mim mesma e a todos os que me magoaram.

Convidei o meu companheiro para ir comigo à Igreja e, apesar de no início, ele não aceitar e falar muito mal da Universal, através da minha fé e vendo toda esta mudança em mim, ele acabou por aceitar vir comigo. Aqui ele também se livrou dos vícios e aprendeu a ser um verdadeiro homem de Deus. Aceitou-me como sua única mulher e decidimo-nos casar após 15 anos de relacionamento. O meu sonho, finalmente, tornou-se realidade! Desde então, o nosso relacionamento melhorou imenso.

Hoje, tenho paz, alegria e amor. Tenho uma família abençoada e o meu relacionamento com os meus pais e irmãos também foi restaurado. Sou verdadeiramente feliz e estou cheia de vontade de viver.”

Leah de Abreu, Universal Inglaterra

Fonte: Folha de Portugal