“Fui parar à prostituição”

Com uma história marcada pela traição, vícios e humilhações, Liliane conseguiu dar volta por cima apenas porque resolveu aceitar uma segunda oportunidade na vida

Parte da adolescência de Liliane, hoje com 32 anos, foi vivida na Universal. Ela, que tinha uma vida tranquila e uma boa relação com os pais, começou a sentir falta do que nunca tinha conhecido. Não demorou muito para que os dias na Igreja passassem a ser “aborrecidos” para ela. “Veio a vontade de conhecer o mundo, pois as coisas de Deus passaram a ser insignificantes e sem graça”, recorda.

LIVRE E APRISIONADA. Liliane decidiu aproveitar o que até então era desconhecido, mas pagou o preço da sua decisão. “Essa era a sensação que tinha, de liberdade”, conta. Mas, a liberdade em questão atirou-a para um buraco que, por mais que tentasse sair, tornava-se ainda maior. Tanto que as inúmeras festas, raves e consumo exagerado de bebidas alcoólicas não a satisfaziam.

“Apaixonei-me pelo pai da minha filha, com quem tive um relacionamento de seis anos. Ele era dependente de drogas e, muitas vezes, trocava-me pelos amigos. Aos seis meses de gravidez, confessou que me traía e que tinha acabado de descobrir que já era pai de uma criança de um ano.” Foi, então, que começou o seu sofrimento. “Morri por dentro. Passei a ter ódio dos homens. Usava-os e descartava-os como lixo, que era como eu me sentia.”

FUNDO DE POÇO. Veio, então, a oportunidade de trabalhar no estrangeiro, aparentemente, a solução perfeita para os meus problemas financeiros. “Mas, como não tinha documentos, uma amiga sugeriu que casasse com o irmão dela para adquirir cidadania. Porém, com menos de três meses, o rapaz voltou para o Brasil. Fiquei sem trabalho e sem documentos num país estranho.

Conheci outro rapaz e fui morar com ele, mas também sofri, porque ele bebia e batia-me.” Não demorou muito para que fosse deportada. “Passei o dia na prisão do aeroporto com pessoas algemadas e apenas um buraco no chão para fazer as necessidades à frente de todos”, descreve.

DE VOLTA. 
De volta à terra natal, Liliane conseguiu um trabalho, algo que usou para sustentar novamente os velhos hábitos.

“Cheguei a ir para a prostituição para ganhar dinheiro. Fiquei apenas alguns meses, porque nem ali os homens me queriam.

Diziam que não era para estar ali, que não me podiam tocar.” Até em cartomantes passou a ir para saber o que estava a acontecer. “Uma delas disse-me para ter fé e buscar a Deus, que apenas Ele me poderia ajudar. Pensei em cometer suicídio atirando-me do meu prédio. Olhei para o céu e disse: ‘Deus, tudo o que sonhei, a minha dignidade, planos, tudo se perdeu. Não tenho mais vontade de viver. Mas recorda-Te, quando saí da Tua casa, disse que se a Tua Palavra fosse verdadeira, voltaria para Ti.’ Foi quando voltei e me entreguei a esse Deus Vivo”, conta.

Hoje, Liliane descreve-se como sendo outra pessoa. Aquele vazio não existe mais, pois a experiência que teve com Deus transformou-a totalmente. “Posso dizer que sou feliz, com novos objetivos, planos e meta de vida. Tenho dignidade como mãe, como mulher. Restaurei a minha autoestima e tenho paz de espírito. Antes, queria morrer, mas, hoje, quero viver e levar esse amor para as pessoas”, finaliza. Fonte: Folha Universal (Flavia Francellino)

Liliane Martins, Universal Brasil

Fonte: Folha de Portugal